Medicina de Emergência: saiba mais sobre a especialidade da série The Pitt!
As séries médicas são um verdadeiro sucesso, não é? Da clássica E.R: Plantão Médico até The Pitt, passando por Dr. House, Grey’s Anatomy, O Bom Doutor e a brasileira Sob Pressão, os seriados que retratam a Medicina de Emergência sempre atraem o público.
Inclusive, estudos científicos em alguns países mostram que a maioria dos estudantes da área da saúde acompanham ou já acompanharam seriados médicos.
Afinal de contas, além de mostrar casos interessantes e mostrar o dia a dia dos profissionais, as séries podem apresentar possibilidades de carreira para quem ainda não decidiu que caminho seguir.
Nesse contexto, um seriado se destaca por retratar de forma bastante realista o cotidiano de um Pronto Socorro. Estamos falando de The Pitt, série da HBO Max lançada em janeiro de 2025.
O que acontece em The Pitt?
A série se passa na emergência do Pittsburgh Trauma Medical Hospital, um centro médico fictício na cidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, Estados Unidos.
Ao longo da primeira temporada, ela acompanha 15 horas de um plantão médico em 15 episódios. Sendo assim, em cada um deles, temos acesso a uma hora completa do trabalho dos médicos e enfermeiros, em uma perspectiva inédita nos seriados médicos. É uma série em “tempo real”.
Assim, é possível ter uma visão bastante real, de acordo com o depoimento de diversos médicos reais que acompanham o seriado. O resultado é uma produção que retrata a Medicina de Emergência como ela é: uma especialidade desafiadora e gratificante.
Aliás, você já se imaginou salvando vidas em situações críticas? Se a resposta foi “sim”, então você com certeza está gostando de acompanhar The Pitt, que está na segunda temporada, e vai gostar mais ainda de descobrir tudo sobre a especialidade da série.
Neste artigo, você vai entender como funciona essa especialidade, o que o médico emergencista faz na prática e qual o caminho para atuar nessa área. Então, está pronto para aprender e começar a se preparar para esta carreira?
O que é Medicina de Emergência?
Vamos iniciar descobrindo o que é medicina de emergência.
De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Emergência, a ABRAMEDE, a Medicina de Emergência é a especialidade responsável por diagnosticar e tratar pacientes que precisem de cuidados em contextos imprevistos. Seja por uma enfermidade aguda, seja uma lesão que exija atendimento rápido.
Aqui, vale a pena entender a diferença entre emergência e urgência médica.
Tais atendimentos podem ser uma emergência médica, quando há risco iminente de morte, ou uma urgência médica, que de acordo com o Hospital Israelita Albert Einstein, exige atendimento rápido mesmo sem risco de vida, visando melhora rápida e menos complicações.
Por isso, no Brasil, os atendimentos contam com organizações e regras específicas no sistema de saúde. Até mesmo para conseguir lidar com pacientes que, sem acesso à atenção primária, acabam entrando no sistema por meio das emergências, uma realidade que também aparece em The Pitt medicina.
Seja no Sistema Único de Saúde, o SUS, seja na rede privada, com a saúde suplementar, o Conselho Federal de Medicina tem resoluções específicas para o funcionamento dos serviços de urgência e emergência, como as Resoluções CFM medicina de emergência nº 2.077/2014 e nº 2.079/14.
Por exemplo, aqui temos:
- SAMU, que é o serviço público de atendimento móvel de urgência, com atendimento pré-hospitalar
- UPAs, as Unidades de Pronto Atendimento, que cuidam de casos de complexidade intermediária;
- Pronto Socorro e Pronto Atendimento Hospitalar, que focam em atendimentos mais complexos.

Porém, apesar dos casos atendidos pelos emergencistas serem extremamente comuns na Medicina e estudados há séculos, a história da especialidade em si é um pouco mais recente.
Ainda de acordo com a ABRAMEDE, a busca pela organização e qualificação dos atendimentos emergenciais data da década de 1990. A partir de então, diversas iniciativas começaram a escrever a história da especialidade no país, com novas disciplinas das faculdades de Medicina, surgimento de residências, associações e congressos.
Contudo, a especialidade de Emergência só foi reconhecida pelo CFM em 2013. Em seguida, em 2015, foi aprovada pelo Conselho Científico de Especialidades da Associação Médica Brasileira, a AMB.
A Medicina de Emergência na série The Pitt: ficção vs. realidade
Agora que você já sabe disso, fica fácil entender que os profissionais do pronto-socorro em The Pitt são emergencistas, ou estão se especializando para isso, certo?
Na série, temos a unidade de atendimento de emergência do Pittsburgh Trauma Medical Hospital, que durante o plantão diurno, é liderada pelo Dr. Michael ‘Robby’ Robinavitch, interpretado pelo ator Noah Wyle. Médico emergencista, ele é o protagonista do seriado, comandando, ao lado dos enfermeiros, uma equipe de outros médicos, residentes, internos e estudantes de medicina.
Uma curiosidade é que Wyle também fez parte do elenco de E.R: Plantão Médico, que fez bastante sucesso nos anos 1990 e 2000. A ideia inicial de The Pitt era justamente criar um reboot do primeiro seriado, focado no personagem de Wyle.
Porém, como a dona dos direitos autorais não concordou com a proposta, o ator, o produtor-executivo John Wells e o roteirista R. Scott Gemmil decidiram adaptar a ideia. Foi assim que The Pitt nasceu.
Na série, aos poucos conhecemos mais dos traumas do Dr. Robby, que atuou intensamente na época da pandemia de COVID-19, da personalidade de cada profissional da saúde e da realidade do hospital.
É aqui que entramos em contato com o cotidiano dos emergencistas. Em The Pitt, todos os desafios da profissão, da triagem até a alta hospitalar, ficam claros:
- Necessidade de atender pacientes em um ambiente de alta demanda;
- Complexidade dos casos críticos;
- Pressão por decisões rápidas;
- Cenários de emergência:
- Certeza de que tudo pode mudar a qualquer momento.
Além da dinâmica da série, que traz um ritmo frenético capaz de prender a atenção do telespectador, é justamente a maneira como ela retrata o dia a dia de uma Emergência o seu grande trunfo.
O que é real em The Pitt?
Assim que a série foi lançada, ela começou a chamar a atenção de profissionais da saúde por ser fiel à realidade. De acordo com relatos de diversos médicos em redes sociais e entrevistas aos portais de notícias, o seriado consegue mostrar a rotina de um médico emergencista de maneira quase perfeita.
Ou seja, The Pitt é uma série que se preocupa com a parte técnica e foca em detalhes. Além disso, muitos procedimentos são retratados de maneira precisa. É o que acontece também o lado desafiador da profissão, que exige do profissional trabalhar por longos períodos, vivenciar momentos de pressão e, em alguns casos, ter uma rotina sobrecarregada.
E o que é apenas ficção?
Mas é claro que nem tudo condiz com a realidade, seja para deixar o seriado mais dinâmico, seja para garantir que a narrativa se complete. Exemplo? Alguns diagnósticos em The Pitt são mais rápidos do que na vida real.
Além disso, a série retrata um pronto-socorro nos Estados Unidos. Por conta das diferenças naturais entre países, alguns pontos da série são distintos da realidade brasileira.

Um exemplo é o processo de triagem, que no Brasil é realizado por enfermeiros, utilizando a classificação de risco pelo Protocolo Manchester. Na série, não vemos esse processo: ali, a triagem costuma ser feita por um médico e um enfermeiro.
Outra diferença é a logística dos atendimentos. Enquanto no Brasil os médicos costumam ter consultórios fixos no Pronto Atendimento, em The Pitt os pacientes aguardam em boxes ou salas genéricas, onde os médicos passam para atendê-los.
O que faz um médico emergencista? Rotina e principais atuações
Como retratado na série, os emergencistas costumam trabalhar em um esquema de plantão, que no Brasil costuma ser de 6 a até 48 horas de duração. Ao longo deste período, a rotina médico emergencista costuma incluir:
- Passagem de plantão: quando os médicos do plantão anterior passam os casos que já estão em atendimento para os profissionais que vão assumir a emergência;
- Atendimento: a maior parte do plantão será dedicada ao atendimento dos pacientes. Seja nos consultórios, lidando com casos que chegam ao Pronto Atendimento, seja na sala de emergência, com situações críticas que demandam atendimento imediato, seja na observação de pacientes admitidos. Em resumo, os atendimentos incluem anamnese, exame físico, diagnóstico e plano terapêutico, além de procedimentos e condutas mais invasivas em casos mais graves, como RCP (Reanimação Cardiopulmonar) e intubação orotraqueal, que observamos em diversos episódios de The Pitt;
- Descanso: especialmente em plantões mais longos, é esperado que os profissionais consigam tirar alguns momentos de descanso e alimentação durante o trabalho;
Ao longo das horas de trabalho, múltiplas situações podem aparecer na Emergência, das mais simples às mais críticas. Alguns exemplos bastante comuns são:
- Paradas cardiorrespiratórias;
- Acidente Vascular Cerebral (AVC);
- Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), insuficiência cardíaca e arritmias;
- Politraumas;
- Intoxicações alimentares, envenenamentos;
- Crises de asma e outras doenças respiratórias, como pneumonia, bronquite e insuficiência respiratória aguda;
- Doenças virais, como resfriados, gripes, dengue, etc;
- Infecção urinária;
- Dores abdominais, como gastrites, úlceras, apendicite, colecistite, etc;
- Condições psiquiátricas.
Tudo isso pode acontecer em diversos ambientes de atuação. Como mencionamos no início do texto, os emergencistas podem atuar em mais de um campo na medicina. Algumas possibilidades são:
Pronto-Socorro
Funcionando ininterruptamente, o pronto-socorro atende todos aqueles pacientes que necessitam de cuidado imediato, com ou sem risco de vida. Em resumo, todo caso que não pode esperar por uma consulta médica deve ser encaminhado ao pronto-socorro, com médicos emergencistas e outros profissionais da saúde especializados em tal atendimento.
UPA (Unidade de Pronto Atendimento)
Parte da Política Nacional de Atenção às Urgências do Ministério da Saúde, as UPAs funcionam 24 horas por dia e são um serviço de atendimento pré-hospitalar. Nelas, é possível atuar como emergencista atendendo pacientes graves e não graves, além de prestar o primeiro atendimento em casos cirúrgicos e de trauma. De acordo com o Ministério da Saúde, é papel da UPA estabilizar tais pacientes e conduzir uma avaliação inicial, determinando a melhor conduta e eventuais encaminhamentos.
Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU)
O que também faz parte da rede de atendimento pré-hospitalar é o SAMU, que oferece orientações telefônicas e veículos tripulados para atender incidentes clínicos, cirúrgicos, traumáticos ou psiquiátricos.
Unidade de Tratamento Intensivo (UTI móvel)
Para casos mais graves, com necessidade de suporte avançado à vida, o ideal é acionar uma UTI móvel, em que os emergencistas também podem atuar, prestando atendimento intensivo.
Em todas as possibilidades, é fundamental ter em mente que o trabalho de emergência é multidisciplinar.
O médico deverá trabalhar em estreita coordenação com enfermeiros, técnicos e outros especialistas, que desempenham papéis tão importantes quanto para garantir o bom funcionamento e a melhor assistência aos pacientes.

Inclusive, é possível que, como médico de emergência, você trabalhe em conjunto com cirurgiões de trauma. Eles são os médicos especialistas em procedimentos cirúrgicos pós trauma, com necessidade de atendimento rápido e urgente.
Assim, todos juntos atuam em equipe para garantir que o trabalho sob pressão não comprometa o atendimento, que exige o conhecimento de diversos protocolos de atendimento, como:
- Protocolo Manchester para classificação de risco;
- Escore de Trauma;
- Escala de Glasgow para coma.
Habilidades essenciais para ser um médico emergencista
Gostou da ideia de ser um médico que trabalha diretamente com emergências? Então vale a pena conferir quais são as competências necessárias para atuar nesta área. Abaixo, você vai encontrar as principais habilidades comportamentais e técnicas para se destacar:
Competências comportamentais para médico de emergência
- Tranquilidade para trabalhar sob pressão: em ambientes de alta pressão e tensão, saber manter a calma e a tranquilidade é essencial para garantir uma assistência de qualidade;
- Resiliência: muitas vezes, as longas jornadas e a alta demanda podem desafiar os profissionais da emergência. Por isso, ser uma pessoa resiliente vai fazer a diferença na sua carreira;
- Boa comunicação: seja para atender aos pacientes ou interagir com a equipe multidisciplinar, um bom médico emergencista deve saber se comunicar
- Liderança: para comandar procedimentos críticos e lidar com pacientes na sala de emergência, por exemplo, é essencial ter uma postura de líder;
- Raciocínio rápido: muitas vezes, você deverá agir rápido em situações de emergência, o que exige um raciocínio rápido para garantir uma resposta e uma conduta adequadas;
- Inteligência emocional: o trabalho de emergencista pode demandar muito da saúde mental de seus profissionais. Além da pressão e do frequente alto volume de atendimentos, estar frente a frente com casos críticos, que podem ter desfechos trágicos, não é fácil. Por isso, ter inteligência emocional para lidar com o psicológico vai fazer toda a diferença nessa carreira, que apesar dos desafios, é bastante recompensadora;
- Gestão do estresse: da mesma maneira que a resiliência é necessária para lidar com o dia a dia na emergência, a gestão do estresse também é fundamental. Com ela, você consegue equilibrar as emoções e tomar medidas para priorizar a sua saúde mental;
- Bom trabalho em equipe: por fim, nenhum médico comanda uma emergência sozinho. Além da coordenação intensa da enfermagem, todos os locais de atuação do emergencista contam com inúmeros profissionais, cada um deles essencial para uma assistência de qualidade. Sendo assim, saber trabalhar em equipe não é apenas um diferencial, mas uma obrigação dos médicos que seguem essa carreira.
Competências médicas para atuar na medicina de emergência
- Bom raciocínio clínico: rápido e assertivo, o raciocínio clínico de quem trabalha com situações críticas é essencial. Assim, você será capaz de entender o quadro com agilidade, garantindo o melhor atendimento e tratamento para preservar a vida dos pacientes;
- Domínio de procedimentos invasivos: muitas vezes, a atuação em emergências vai exigir procedimentos invasivos, que devem ser realizados por médicos especialistas;
- Interpretação rápida de exames: lembra do raciocínio clínico rápido? Ele também é fundamental para interpretar exames, sempre garantindo o equilíbrio para não deixar resultados importantes passarem despercebidos;
- Atualização constante: além do curso de Medicina e da residência medicina de emergência, os médicos precisam se atualizar constantemente. Isso inclui realizar cursos, como o ATLS (Advanced Trauma Life Support) e o ACLS (Advanced Cardiovascular Life Support);
- Domínio de protocolos: dominar os protocolos de emergência é algo inegociável para profissionais da emergência. Afinal de contas, em situações de risco de vida, você será um dos responsáveis pelos procedimentos nos pacientes.
Tudo isso você começará a aprender na especialização em medicina de emergência!

Como se tornar um médico de emergência no Brasil?
Agora que você já sabe o que faz um emergencista, vamos dar alguns passos para trás para entender, de maneira ampla, como se tornar médico emergencista no Brasil? Assim, você poderá planejar a sua carreira e se preparar para essa profissão tão gratificante.
Passo 1: Graduação em Medicina (6 anos)
Antes de mais nada, você terá que concluir a graduação em Medicina, que dura 6 anos.
O curso, amplamente buscado no Brasil, é bastante concorrido e representa o sonho de milhares de estudantes. Por isso, vale a pena se informar sobre os melhores cursos e possibilidades de ingresso para iniciar a sua trajetória médica.
Passo 2: Residência Médica em Medicina de Emergência (3 anos)
Após a conclusão da graduação em Medicina, você poderá aplicar para a residência medicina de emergência.
O serviço tem duração de três anos, dedicação semanal de 60 horas e foco em formar especialistas em emergências, com acesso direto. Ou seja, após a conclusão da graduação, você poderá aplicar diretamente para esta medicina de emergência residência.
De acordo com um levantamento de 2024 da ABRAMEDE (Associação Brasileira de Medicina de Emergência), o Brasil conta com residências para formar emergencistas em 12 estados, totalizando 34 serviços reconhecidos pelo MEC.
Passo 3: Prova de título de especialista (ABRAMEDE)
Ao finalizar a sua residência médica, chegará a hora de realizar a prova de título de especialista. Dividida entre prova teórica e prática, ela é realizada pela ABRAMEDE e acontece uma vez ao ano.
Sendo assim, você deverá se inscrever diretamente no site da Associação e seguir o edital do seu ano.
Com a aprovação, você estará, oficialmente, apto a entrar na medicina de emergência mercado de trabalho!
Pós-graduação lato sensu (1 ano e meio)
Uma alternativa à residência médica é a pós-graduação lato sensu. Com inúmeros cursos disponíveis em instituições de ensino superior de ponta, elas também oferecem a possibilidade de se especializar na área.
Dessa maneira, você tem mais de um caminho disponível para atingir o seu objetivo, já que médicos pós-graduados também podem aplicar para a prova de título da ABRAMEDE.
Quer começar sua jornada na Medicina?
Conheça os cursos de Medicina da Unic e dê o primeiro passo para se tornar o médico que você sempre sonhou ser. Com infraestrutura completa, corpo docente qualificado e modalidades que se adaptam à sua rotina, você iniciará a sua caminhada rumo ao sucesso!
Então, o que você achou de descobrir tudo sobre a especialidade da série The Pitt? Deu para perceber que, de fato, o seriado consegue mostrar a realidade da profissão, mesmo se passando em um país que não é o Brasil.
Afinal de contas, independente da localidade, ser médico e conseguir salvar vidas, transformando a trajetória de tantos pessoas, sempre será extremamente gratificante e honrado.
Sem os médicos emergencistas, o que seria da nossa sociedade, não é mesmo?
Sendo assim, se a sua vocação é ser um emergencista e fazer a diferença, todos os dias, na vida das pessoas, não desista! Agora você já sabe exatamente o caminho que precisa trilhar para chegar lá e garantir que todo paciente terá uma assistência de excelência em momentos críticos.
A Medicina de Emergência é, acima de tudo, sobre estar presente no momento em que cada segundo conta. Se você se identifica com essa missão, está na hora de transformar essa paixão em carreira.

