"Eu quero, eu posso, eu consigo!"

Juninho Cabral

Formado em Educação Física, destaca-se por seu desempenho no ParaJiu-Jitsu e projeto social no Futsal feminino

Sumário

O começo da jornada

Não resta dúvidas de que o esporte é um caminho para o aperfeiçoamento e a evolução, certo? E com o lutador de ParaJiu-Jitsu Juninho Cabral não foi diferente: nascido com limitações nos braços e pernas, o atleta ultrapassa barreiras e alcança cada vez mais novos patamares.

Ainda na infância, Juninho precisava debater com seus professores de escola para poder participar das atividades esportivas. “O esporte representa tudo para mim. É minha motivação. Quando criança, sempre sonhei em ser jogador de futebol. E minha maior briga era com os professores de educação física”, comenta bem-humorado sobre o medo que tinham de que ele fosse se machucar.

“Eu não me sentia diferente. Sinto que sou diferente não em relação às pessoas, mas sim em atitudes”, destaca Juninho.

Criado em Itiquira Mato Grosso, Juninho começou a se envolver mais fortemente com o esporte aos 15 anos, graças ao convite de uma professora que o chamou para praticar Handebol.  Aos 17 anos, chegou ao Futsal.

“Sempre participei de todas as atividades com as pessoas sem deficiência”, declara Juninho.

“Foi onde tive acesso a várias oportunidades: a ser treinador do time feminino da Unic, ser auxiliar e ir para o Brasileiro. Conheci vários lugares e pude criar um leque de amizades muito grandes”, lembra sobre o período na Unic. “Me formei e comecei a fazer um trabalho voluntário em Itiquira que mantenho até hoje.

Juninho destaca que os anos de curso na Unic foram alguns dos melhores de sua vida. “Conhecia todo mundo, era o queridinho da faculdade. Ninguém me tratava diferente”, relembra. “Me sentia muito bem”.

Na época da faculdade, Juninho também mantinha suas atividades no Futsal, participando de campeonatos e disputas.

A vinda para o Jiu-Jitsu

Juninho comenta que sua vinda para o Jiu-Jitsu ocorreu graças ao convite de um professor e amigo organizar de um projeto social. “Tinha bastante amigos que estavam fazendo e falavam bem… Vou ter que fazer também!”, relembra.

Após algum tempo, Juninho chegou ao cenário do ParaJiu-Jitsu nacional. “No primeiro ano, me integrei à Seleção Brasileira. Fui campeão Panamericano, vice campeão brasileiro, vice campeão no Grand Slam e consegui uma vaga para o mundial em Abu Dhabi, que somente não fui por causa da pandemia”, comenta Juninho listando suas conquistas.

“É um mundo sensacional. Não há palavras para dizer como é bom. Um ambiente maravilhoso”, declara. “O mundo do ParaJiu-Jitsu é um mundo maravilho! Sem preconceitos, sem indiferença. Você está lá e é um igual”, avalia.

Volta após a pandemia

Juninho também destaca que as práticas esportivas estão voltando após a paralização devido à pandemia do novo Covid. Em seu projeto voluntário, o Futsal feminino em Itiquira onde é treinador já voltou com treinos diários de 2h. “Estou desde 2015 participando do projeto a convite das meninas. A relação professor/aluno é fantástica”, destaca Juninho. “Para mim, só de estar junto com elas já é fantástico”.

O atleta ainda destaca como o esporte é significativo para a vida das meninas, sendo que já treinou diferentes categorias sub-15, sub-17 e até mesmo adultos. Atualmente, Juninho voltou a treinar o Sub-17 para comandar nas competições entre colégios.

Planos para o futuro

A ligação de Juninho com sua graduação na Unic em Educação Física é evidente. Ainda assim, o lutador de ParaJiu-Jitsu relata que já tem planos para a continuação de seus estudos. “Pretendo fazer uma pós em Fisiologia do Exercício ou até mesmo em Futsal”, avalia.

Uma lembrança especial 

Juninho destaca que sua vitória na final do Uruguai foi muito marcante, onde foi campeão Panamericano: “Na final, lutei com um cadeirante. O bicho era gigante, muito forte. Ele achou que a luta era injusta para mim. Na hora da luta, me superei. As palavras dele foram uma motivação a mais”, destaca. “Ganhei de 6 a 4. Um dos dias mais felizes da minha vida!”.

Para a Unic, Juninho Cabral é um orgulho 😀 Um exemplo de amor pelos estudos e pelo esporte!